Já começaram as aulas na Universidade Monstros, mas bem antes dos monstros mais cativantes da Disney serem aprovados, os produtores nos Estúdios de Animação da Pixar já tinham arregaçado as mangas para preparar um dos filmes mais divertidos de todos os tempos.
“Trabalhamos na história de Universidade Monstros por três ou quatro anos”, conta Kesley Mann, supervisor de uma equipe de artistas cuja tarefa é esboçar a história para criar sua forma visual. Ele explica que os desenhos deviam reproduzir a ideia do que o diretor Dan Scanlon queria para o filme, e que resultou em uma espécie de historinha como produto final.
Para conseguir modelar todos os detalhes da aparência visual da universidade, a equipe de roteiristas começou sua pesquisa o mais rápido possível. “A metade do nosso trabalho é o que fazemos antes de começar o roteiro. A outra metade é o storyboard desse roteiro”, descreve Mann. Para concretizar esse processo, alguns filmes levaram os escritores da Pixar até as montanhas escocesas, aos esgotos de Paris ou, inclusive, a explorar o fundo do mar. Desta vez, Mann e sua equipe tiveram que retornar à universidade. Estavam justamente à procura de um ambiente familiar para o filme. “Visitamos diferentes universidades para juntar várias ideias que nos permitissem captar a atmosfera do lugar”.
Além de poder reproduzir a aparência física dos novos estudantes, a pesquisa da equipe e suas experiências pessoais permitiram recriar a experiência emocional dos novatos diante da aterrorizante universidade. “A maioria das coisas que fazemos está ligada à nossa pesquisa externa, embora também seja importante realizar uma internamente para revisar nossas experiências pessoais de quando frequentamos a universidade. Conversamos bastante sobre o que vivenciamos na universidade, como nos sentíamos naquele momento, o que pensávamos e procuramos incluir isso no roteiro.
Essa pesquisa “interna” ajudou bastante para identificar as sensações que dois jovens monstros podiam ter ao chegar a um lugar cheio de novos companheiros… literalmente assustadores. Embora Mike Wazowski e James P. Sullivan sejam de mundos diferentes, Mann e sua equipe trilharam um caminho decididamente humano para definir suas emoções. “Foi incrível poder trabalhar novamente com esses personagens e imaginá-los jovens”.
Os milhares de desenhos da equipe de Mann transmitem cada quadro do longa-metragem. “Fizemos um total de 22.246 desenhos, o que é um exagero, muito mais do que já se fez para outro filme da Pixar”, diz Mann orgulhoso. Esses desenhos em seguida criaram um primeiro esboço animado do filme “Depois, fizemos a edição para juntá-los e adicionamos os efeitos sonoros, a música e o áudio para poder assistir em uma tela e ver o resultado”.
O diretor de “Monstros S.A.”, Pete Docter, e o do departamento de criação, John Lasseter, opinavam nas reuniões mensais sobre como devia ser a história de Mike e Sulley quando se conheceram. “Quando você cria uma história, não pode se restringir a um desenho para ter a liberdade de encontrar o que realmente deseja”, diz Mann sobre esse processo. Mas, às vezes, são os primeiros esboços que acabam captando exatamente um determinado momento: “Lembro de uma cena onde Mike está treinando seus sustos: o diretor Dan Scandon sempre olhava os esboços para captar a emoção refletida neles”.
A imagem da personagem da Diretora Hardscrabble foi difícil de captar. Os escritores precisaram propor várias ideias até chegar a uma diretora que desse medo, em uma universidade onde todos são assustadores. “Originalmente, seria um homem que entrava gritando e acabava não intimidando ninguém. A diretora tem essa aparência reservada que chega a dar calafrios”, explica Mann sobre um dos seus personagens favoritos.
Trabalharam arduamente durante anos e alcançaram seu objetivo: obter uma animação que capturou de forma emocional e artística o esqueleto do que mais tarde seria o produto final. Bom trabalho!
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