terça-feira, 13 de outubro de 2015

ENTREVISTA COM O DIRETOR ÉPICO DE THOR: O MUNDO SOMBRIO

Marvel's "Thor: The Dark World" Autograph Signing - Comic-Con International 2013
Depois do sucesso da série Game of Thrones, o americano que cresceu no Canadá não teve dúvidas ao se envolver com a saga épica do momento e afirmou “eu gosto de ter um pé na realidade e outro na fantasia, e esse projeto me deu essa oportunidade. Thor é um super-herói único porque tem muito peso na história e ainda carrega muito significado mitológico. Esses aspectos lhe dão uma dimensão que me pareceu interessante”

Thor, Marvel e os quadrinhos na visão de Taylor

O que foi que chamou a sua atenção nesse projeto?
Quando eu tive o primeiro contato com Thor: O Mundo Sombrio, pensei que eles tivessem cometido um erro e chamado a pessoa errada, porque eu estava muito focado no trabalho na televisão; naquela época, eu fazia “Game of Thrones”. Passado esse momento de confusão, quanto mais eu ouvia sobre o projeto, mais eu entendia que,sim, eles me queriam na equipe. Eu nunca fui um fã de quadrinhos, não cresci com eles, e isso me diferencia do grupo de pessoas com as quais trabalhei, mas a dimensão do projeto me encantou.

Eu adoro a linguagem épica, isso é algo que pude conhecer com “Game of Thrones”; isso, somado a alguns outros elementos, fez o projeto ser tentador para mim.

Como você transforma uma história cósmica em algo real?
Grande parte do trabalho que fizemos em Thor: O Mundo Sombrio foi ancorar a história. Percorremos os Nove Mundos do universo e fizemos isso sem nos afastar do senso de realidade e da conexão emocional. Em parte, conseguimos isso graças ao trabalho desse incrível elenco, que nos permite relacionar com tudo o que acontece, por mais estranho que seja. Desde o período da produção, nos esforçamos muito para ancorar o sentido histórico, mesmo trabalhando com um mundo inventado.
Para mim, era importante que Asgard passasse a sensação de estar lá há séculos, milênios, de ter sua própria cultura, de ser um lugar que parecesse real.

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Qual é a importância de ter Chris Hemsworth interpretando Thor?
Chris Hemsworth nasceu para fazer esse papel. Nós costumamos falar isso de uma série de personagens e atores, mas eu nunca tinha visto nada assim. É difícil interpretar um jovem que leva o peso das decisões. Chris, além de ter o físico perfeito para o personagem, conta com a voz que expressa esse peso. Ele possui uma voz impressionante, que te faz acreditar que ele é “algo além” de um ser humano. Sua atuação também me impressionou, ele não é só um rostinho bonito.

A relação entre Thor e Jane poderia ser apontada como o núcleo emocional do filme?
Há momentos em que, de fato, é possível assistir ao filme e vê-lo como uma história de amor entre duas pessoas que foram separadas e estão tentando lidar com essa situação. Mas há outras relações muito poderosas no filme. Temos a história dos dois irmãos, Thor e Loki. Eu acho que há um equilíbrio entre qual dessas relações é a mais marcante do filme; a relação com a Jane é iniciada no primeiro filme, continua e se completa nesse.

Neste filme, Jane passa por uma situação de “peixe fora d’água”. Como você acha que as pessoas vão reagir ao vê-la em Asgard?
No primeiro filme, o público realmente gostou da situação de “peixe fora d’água” do Thor, quando ele chegou à Terra. Me parecia natural revertê-la e levar um humano para os Nove Mundos, para Asgard. É um tanto cômico, no sentido clássico das situações estranhas, mas também é um dos estilos do filme, porque nos leva a pensar como seria entrar em um lugar como Asgard. Então, Jane vai lá e passa a fazer parte dessa comunidade; é possível vê-la usando roupas típicas de Asgard.

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Você tem interesse em alguma série de quadrinhos? Veremos mais da mitologia nórdica?
Na primeira vez que fui para a Marvel, fui apresentado a todos os universos. Eles me deram três volumes de quadrinhos do universo Marvel e eu logo pensei “Isso é trabalho demais”. Comecei a lê-los e, quando cheguei no ponto em que Loki vira mulher e, Thor, um sapo, entendi que você pode encontrar quase qualquer coisa nessa mitologia e que eu estava bem longe de decidir o rumo que o filme tomaria.

As últimas imagens de Thor me convenceram mais. O final dos quadrinhos é a parte em que a verdadeira riqueza começa a ser desenvolvida e a saga é estabelecida dando a impressão de que foi baseada na mitologia nórdica. Tentar equilibrar isso com um material totalmente diferente é um dos principais desafios de qualquer filme do Thor. Mas para mim ficou claro que fiz uso do material que remete à mitologia.

Você prefere filmar em locações reais?
Sim! Eu amo filmar ao ar livre; evito ao máximo rodar cenas com o chroma key (fundo verde). Nós filmamos uma cena em que Tom Hiddleston está em Svartalfheim, ela foi feita na Islândia Em outra ocasião, durante a filmagem de outras cenas, lamentávamos estar filmando com o chroma key (fundo verde) enquanto ele tentava incansavelmente reviver a mesma adrenalina que tinha sentido na Islândia, com a vista incrível e o vento balançando o seu cabelo. Esse é o efeito que as locações reais têm nos atores, elas proporcionam uma forma fantástica de trabalhar.

Qual foi o maior desafio de criar os mundos e espécies diferentes?
O grande desafio e, ao mesmo tempo, a maior diversão, é criar as criaturas e os mundos de onde elas vêm. David Lynch é um dos meus diretores preferidos e, certa vez, ele disse que o futuro do cinema estaria não tanto em contar histórias, mas em criar mundos. Ele sempre foi um grande criador de mundos e é isso que mais me atrai na sua obra. Portanto, ter a oportunidade de criar não só Asgard, mas Vanaheim e Svartalfheim, foi fantástico. Os nomes são difíceis de pronunciar, mas imaginar esses mundos é maravilhoso.

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Como você soube que tinha dado o visual perfeito para essas espécies?
Uma das coisas que me fez ter a impressão de que elas estavam adequadas, foi o que vimos na Islândia. Elas estavam lá, andando na areia vulcânica negra, com alguns picos montanhosos com neve ao fundo, e as roupas faziam parecer que tinham nascido ali. Foi demais.

Os Três Guerreiros… Quais são os seus papéis nesse filme?
Em Thor, conhecemos os Três Guerreiros que têm muito destaque nos quadrinhos. Às vezes, penso neles como os Quatro Guerreiros, porque Sif é uma espécie de membro de honra do clã. Decidimos que, dessa vez, era importante que eles fossem apresentados de uma maneira mais específica, singular, e não em grupo. Acho que a maior prova disso foi conhecer o mundo de Hogun e estudar a cultura de lá. Isso faz parte de sentir a vida e a profundidade dos personagens.

Como foi a experiência de trabalhar com a Marvel em um filme tão grande?
No início, pensei que poderia ser intimidante e avassalador. Mas a experiência na Marvel não foi o que eu esperava; trabalhar com a Marvel é algo único. Quando toma decisões, você as toma junto com uma equipe de cineastas que está realmente empolgada com os personagens e seus mundos; de certa forma, é um processo criativo muito íntimo.

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