quinta-feira, 15 de outubro de 2015

UMA ESPIADA NA DISNEY DE 1923

O mundo Disney começou a partir da paixão de um jovem que soube trabalhar para realizar seus sonhos.
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Walt (direita), alguns meses após chegar à Califórnia. Está com seu irmão Roy na frente do seu primeiro estúdio em Hollywood, na Kingswell Avenue.
No esplendor da prosperidade após a Primeira Guerra Mundial, os EUA eram considerados como a terra das oportunidades, especialmente pelos jovens. Muitos caçadores de fortuna foram para a Grande Cidade, Hollywood, o lar fascinante dos filmes que são exibidos na tela de prata, que levava um terço da nação aos cinemas pelo menos uma vez por semana. Tudo parecia ser possível.
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Walt no estúdio de desenho, em Kansas City.
Para o jovem desenhista chamado Walt Disney, o ano de 1923 começou com um fracasso. Seu estúdio de animação em Kansas City, o Laugh-O-gram Films, foi à falência em menos de um ano após a sua inauguração em maio de 1922. A empresa de distribuição sediada no Tennessee, que financiava os 6 contos de fada de animação criados por Walt e um pequeno de grupo de jovens artistas, tinha sido comprada e o Laugh-O-gram estava falindo.
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Edifício do Laugh-O-graham em Kansas City.
Mas nada disso frustrou o jovem Walt. Seguiu em frente, muito confiante em si mesmo e no grande espírito inovador e produtivo que personificava a juventude de 1923. Seu irmão mais velho, Roy, que estava com tuberculose internado no hospital de veteranos de Los Angeles, posteriormente disse sobre seu irmão de 21 anos: “Ele era muito persistente e otimista. Sabia como motivar as pessoas”.
Durante a derrocada do seu estúdio, Walt não desistiu e passou os primeiros meses de 1923 tentando criar uma nova série de animação. “Queria desesperadamente encontrar algo que desse certo, que chamasse a atenção”, disse. O criativo Disney teve a ideia de reinventar a popular série de Max Fleischer Out of the Inkwell, que contava com a participação de “Koko, o palhaço”, correndo pelo mundo real. Com o seu dom natural para a inovação técnica, Walt produziu um curta que apresentava uma menina de verdade interagindo num mundo de desenhos animados.
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A publicação de Kansas City de Walt, em meados de 1923.
“Descobrimos algo novo e inteligente nos desenhos animados!”, escreveu Walt em uma carta para a distribuidora nova-iorquina Margaret J. Winkler, sobre o conceito de Alice in Cartoonland (As Comédias de Alice). Embora Winkler tenha mostrado interesse, apenas a metade do filme foi concluída antes do dinheiro acabar. Walt tentou outros projetos, mas ninguém se interessou: seus funcionários abandonaram o barco e, sem dinheiro algum, Walt dormia no escritório da Laugh-O-Graham, comia fiado no pequeno Forest Inn Café e tomava banho uma vez por semana no Union Station por 10 centavos. Finalmente, Roy bastante preocupado aconselhou: “Rapaz, acho que você precisa sair daí”.
E foi o que ele fez. Walt declarou falência e se juntou a Roy na ensolarada Los Angeles. Comprou uma passagem de trem na primeira classe. “Walt sempre tinha de ter do melhor”, contou sua esposa Lillian, anos depois. “Eu estava usando umas calças e paletó que não combinavam, mas viajava na primeira classe”, lembrou Walt. Partiu de Kansas City em julho e, para ele, que sempre foi fã de trens, a viagem para Los Angeles foi bastante divertida: “Foi um momento incrível no dia em que embarquei no California Limited da Santa Fe”. Era a grande promessa de um novo começo em Hollywood, que já era a terra onde os sonhos se tornavam realidade.
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Walt Disney na casa do tio Robert, em Kingswell, Hollywood.
Ao chegar a Los Angeles, o cartunista alugou um quarto com seu tio Robert Disney e, embora tivesse alguns apetrechos para desenhar entre seus pertences, deixou de lado: “Estava cansado dos desenhos, minha ambição naquele momento era me tornar diretor”. A jovem promessa pegou um ônibus até os estúdios de cinema e, após algumas entrevistas de trabalho, andou pelas fábricas dos sonhos, observando como as cenas eram preparadas e filmadas. Anos depois, Walt se lembrou de ver em ação o diretor de filmes de faroeste, William Beaudine.  Mais tarde dirigiu “As aventuras de Spin e Marty” para a série Clube do Mickey, em 1955.
Mas quando Walt não conseguiu um trabalho no estúdio de cinema, decidiu se dedicar novamente aos desenhos animados. Na garagem do seu tio Robert, Walt construiu uma prancheta para desenhar com madeira e caixas velhas. Em 25 de agosto, escreveu a Margaret Winkler, para avisar que estava montando um novo estúdio de animação e sugeriu que assistisse ao inacabado Alice no País das Maravilhas. A fé inicial de Disney em Alice acabou dando resultado, quando Winkler entrou em contato com Walt, em 15 de outubro, para contratá-lo. Feliz, Walt foi visitar seu irmão no hospital para mostrar o telegrama e pedir que participasse do projeto. Roy teve alta no dia seguinte, em 16 de outubro de 1923, no mesmo dia em que Walt assinou, o que o arquivista-chefe da Disney, Dave Smith, descreveu como “o documento mais importante na história da The Walt Disney Company”: um contrato para uma série de “Alice in Cartoonland”. O começo do Estúdio Disney.
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A casa do tio Robert em Kingswell, Hollywood.
Financiado pelo tio Robert, Walt alugou um espaço na parte de trás de um edifício público. Na época do seu aniversário de 22 anos, em 5 de dezembro, a produção de“Alice´s day at sea” estava praticamente pronta (ele mesmo desenhou toda a animação). Em 26 de dezembro o curta foi exibido e em 12 de janeiro de 1924, Roy pagou todas as dívidas ao tio Robert e o Disney Bros. Studio se mudou para a parte da frente, na metade de fevereiro.
Na virada de 1923 para 1924, o espírito de Walt Disney deixou sua marca. “Tudo começou com um rato”, disse Walt. Mas na verdade, começou mesmo com a ambição, paixão e dedicação do jovem aventureiro que não apenas chegou a Hollywood, mas que se superou para criar uma nova, inspiradora e abrangente forma de entretenimento chamada Disney.
E tudo começou em 1923.
Encontre mais histórias da Disney no D23: The Official Disney Fan Club (o site conta com conteúdo em inglês).

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